RESPONDIDO - Determine a diagnose diferencial da morte


Antes de ler a resposta do post, recomendamos que olhe o artigo inicial (LINK).


Perito Criminal Aposentado Amilcar da Serra e Silva Netto - amilcarserranetto@gmail.com


  • Todo HOMICÍDIO DOLOSO deriva de uma total e eficaz conjunção de condições, procedimentos e circunstâncias, e necessita de elementos básicos que devem se interligar e interagir de forma lógica, e somente assim se concretizará a consumação do crime em si. Essa cadeia de acontecimentos completa-se e efetiva-se pelo liame de três condições básicas, que ao se reunirem provocam a eclosão da ação criminosa, sendo estas MOTIVAÇÃO, OPORTUNIDADE E MEIOS. A falta de qualquer uma implica na ruptura da corrente e na consequente inépcia do crime (texto extraído do MANUAL DE ATENDIMENTO DE LOCAIS DE CRIME, da EDITORA MILLENNIUM).


  • No caso específico não restou possível a OPORTUNIDADE, uma vez que não tinha como alguém, que não a própria vítima, ser a responsável pela morte, ou seja, tenha efetuado o tiro, colocado a arma no interior do veículo e depois fechado e travado as portas por dentro (sem ter pego a chave da ignição), LOGO O HOMICÍDIO FICA DESCARTADO.


  • Ainda, no que tange a oportunidade e a possibilidade física, para que ocorresse um tiro encostado na palma da mão e, na sequência, o mesmo projétil descrevesse os trajetos verificados no corpo da vítima, a mesma teria que estar com o braço direito esticado, o que significaria que o atirador teria que estar do lado de fora do veículo, visto o restrito espaço interno e a presença de respingos de sangue sobre o assento do passageiro.


MOSTRA COMO DEVERIA ESTAR O BRAÇO DIREITO DA VÍTIMA PARA QUE O PROJÉTIL TIVESSE PENETRADO NA PALMA DA MÃO (TIRO ENCOSTADO) SAÍDO NO ANTEBRAÇO (PRÓXIMO AO PUNHO), REENTRADO NO ANTEBRAÇO E SAÍDO TANGENCIALMENTE NO BRAÇO. SENDO QUE NESTA HIPÓTESE O PROJETIL NÃO CONSEGUIRIA ATINGIR A FACE DA VÍTIMA, COMO OCORREU.


  • Por outro lado, considerando a hipótese de SUICÍDIO e tendo em vista que a vítima recebeu um tiro em local não letal (na palma da mão), no qual o projétil descreveu uma única trajetória formada por três trajetos, com várias entradas, reentradas e saídas pelo corpo. Conforme ERALDO RABELO, tais circunstâncias não se ajustam a uma situação típica de suicídio a tiro, ver texto subsequente.


“No relativo à execução material do ato, o gesto do suicida, é aquele que lhe demandar menor esforço e, pois, o mais cômodo, espontâneo e natural e, ao mesmo tempo, mesmo empiricamente, aquele em que o indivíduo supõe ser o mais eficaz. Por isso, a preferência dominante é a dos tiros na cabeça, sendo pouco requente o suicida se decidir por tiro no peito e raríssimo se decidir por outra região de sua anatomia. Na cabeça, a escolha recai, geralmente na região temporal, direita ou esquerda, conforme se tratar, respectivamente – o que deve ser cuidadosamente averiguado – de individuo destro ou canhoto; seguem-se em ordem de preferência, os tiros no ouvido e, menos requente, na boca ou no mento, estes, em especial, quando é utilizado uma arma longa. Tiros com pontos de impacto em regiões tais como a nasal, as orbiculares, a nuca ou a fonte, perpendicularmente ao plano desta, embora tecnicamente possíveis, em certas condições, excluem, pelo menos em termos de acentuada probabilidade, a hipótese de suicídio."

Eraldo Rabelo, livro “Balística Forense”, volume 2, 1982


  • Também, no que tange a hipótese de suicídio, deve haver a possibilidade física, ou seja, a vítima teria que ter condições de sozinha efetuar o tiro, fato este que somente foi possível porque o gatilho da arma foi pressionado pela alavanca de regulagem do assento do passageiro, ao enroscar na alavanca.


  • Portanto a hipótese de suicídio torna-se remota, sem contar que não houve RITUAL DE ALÍVIO, comum na maioria dos suicídios e que consiste em um conjunto de atitudes exteriorizadas em gestos, cerimoniais, excentricidades e outros procedimentos que fogem da habitualidade e estão imbuídos de um valor simbólico, reflexo de um estado psicossocial, em que a vítima materializa no ambiente, fisicamente, a sua intenção premeditada de extinção da própria vida, tratando-se de ato típico suicida.


  • Diante do exposto e considerando as circunstâncias da morte, isto é, a vítima encontrando-se sozinha no interior do veículo, provavelmente apressada para ver sua mãe que estava internada no hospital, displicentemente apanhou a arma que ficava debaixo do banco do passageiro e ao tentar trazê-la para perto, puxando-a pelo cano, esta enroscou seu guarda mato na alavanca de regulagem do assento do passageiro e o gatilho foi acionado, disparando um tiro nas circunstancias ilustradas nas imagens subsequentes.


MOSTRA A POSIÇÃO DA VÍTIMA EM RELAÇÃO A ARMA E COMO ESTA ESTAVA ENCAIXADA NA ALAVANCA DE REGULAGEM DO ASSENTO DO PASSAGEIRO


MOSTRA COMO A VÍTIMA TERIA PEGO A ARMA QUE FICAVA SOB O BANCO DO PASSAGEIRO, A DIREITA DO MOTORISTA


CONCLUSÃO


  • No local em causa ocorreu uma morte ACIDENTAL, perpetrada por disparo de arma de fogo.

141 visualizações
  • Instagram Social Icon
  • Google+ - White Circle
  • facebook

Perícia Criminal Brasil

837.099.591-87

Rua Cinco, 927, Jardim Eldorado, Costa Rica/MS - 79550-000

Termos e Condições | Política de PrivacidadeTermos e Condições de Compra e Venda